Neste sábado, 28, o I Encontro Nacional da Juventude Negra seguiu sua programação com o debate das 14 rodas de discussão com os seguintes eixos temáticos: cultura, gênero, educação, comunicação e tecnologia, violência, meio ambiente, sexualidade, inclusão de pessoas com deficiência, religiosidade, trabalho, terra e moradia, saúde, intervenção nos espaços políticos e ações afirmativas.
As discussões reunirão representantes da juventude negra brasileira, representantes da sociedade civil e instituições governamentais, entre eles Ministério da Saúde, Secretarias de Direitos Humanos e de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.
Pela manhã houve a leitura do Regulamento do ENJUNE, com a inclusão de novas contribuições trazidas pelos representantes dos 21 estados presentes. Durante a tarde, ocorreram concorridas Rodas de Discussão, em destaque para a de cultura, com a participação do ator e diretor teatral baiano, Ângelo Flávio. O artista discutiu o acesso às políticas culturais existentes no país, que segundo ele não contemplam a juventude negra brasileira, e sugeriu a criação de uma política cultural estruturada que fuja dos padrões e estereótipos criados pelo imaginário eurocêntrico.
“O país precisa repensar e efetivar políticas sócio-culturais que resgatem e valorizem a cultura negra, negada ao longo do tempo para nós, afrodescendentes. Assim como a construção de uma plataforma única que nos permita tratar de nossas questões no contexto étnico/racial”, enfatizou Ângelo Flávio.
Outro tema discutido nas Rodas foi Gênero e Feminismo, com a participação de Ubiraci Matildes, do Fórum Nacional de Mulheres Negras (BA) e Regina Adami, representante da Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres da Presidência da República, que fez uma explanação sobre a autonomia das jovens negras, discutindo pontos estratégicos para implementação de políticas públicas. Regina destacou a importância de ações que tenham como objetivo atender fatores como a descriminalização do aborto, o contraste com o mercado de trabalho, a exploração sexual e o tráfico de mulheres, que em sua maioria são jovens negras.
“As jovens negras que integraram as discussões, aqui no ENJUNE, estão atentas e atualizadas com os assuntos que afligem as mulheres negras, compreendendo o feminismo negro, a partir da realidade social e racial de cada estado. É importante que as mulheres jovens negras estejam discutindo com o governo sobre estas problemáticas”, reafirma ela.
Os dois painéis “Novas Perspectivas na Militância Étnico/Racial” e “Juventude Negra e Diáspora Africana” concluíram mais um dia de debates e discussões do ENJUNE, com militantes negros e negras do Brasil e de países como o Uruguai e o Senegal. A programação cultural ficou a cargo de Samba De Roda e da Kizomba ENJUNE, que reuniu as manifestações culturais de todos os estados participantes no Encontro