Como surgiu a famosa Alaíde do Feijão?
Minha mãe tinha um tabuleiro de comidas típicas, que ficava embaixo do Elevador Lacerda. Comecei a ajudar ela na adolescência, com 13 anos, depois de um certo tempo ela se aposentou, aí comecei a tomar conta do tabuleiro para sustentar a família que era 12 pessoas. Em 1993 abri um restaurante no Pelourinho, que teve como carro-chefe o feijão.
O que você acha da realização do ENJUNE?
Eu acho que chegou num momento certo, o jovem precisa realmente ter esses encontros, para contribuir com a nossa educação, com o Brasil, contribuir com essa falta de coleguismo. O encontro vai trazer um resultado muito bom para os jovens negros e negras.
Quais são os passos que a mulher negra deve adotar para tornar-se uma mulher do partido alto, ou seja, empreendedora e independente?
Acho que o primeiro passo é através da educação, hoje os jovens tem oportunidades que nós não tivemos no passado, que é a educação. Segundo é o mercado, temos que brigar muito pelo espaço no mercado de trabalho para a mulher negra, com toda evolução, democracia que estamos vivendo e com toda a reparação que está aí, a dificuldade é muito grande para mulher negra, para a mãe solteira, para as mulheres brasileiras. Nós temos um quadro muito bom e capaz de mulheres negras, que tem responsabilidade e compromisso com a causa negra, com a causa profissional. Com a vontade política nós vamos ascender muito mais.
Como você ver jovens negras e negros se reunindo para discutir políticas públicas que contemple a juventude negra brasileira?
É um avanço muito grande no movimento negro, na raiz das relações públicas que os negros estão tendo. Esse encontro foi uma bandeira que teve muita dificuldade, pelo que acompanhei, mas lá na frente nós vamos ter grandes resultados após esse encontro.
Como você ver o mercado profissional e empreendedorismo para a comunidade negra atualmente?
Nós não precisamos sair da Bahia e do Brasil, para fazer uma política de igualdade racial, nós não precisamos ir pra a Universidade para aprender que nós temos que manter um comércio de empreendedores negros e negras. Assim como nós empreendedores negras e negros do Brasil temos que dar capacidade, qualidade profissional para servir o negro e a negra, que a partir do momento que temos um compromisso com a causa negra, nós queremos o melhor para eles, o melhor profissionalmente. Sou uma profissional, quero ser beneficiada com o mercado negro e financeiro, pois sobrevivo através da comunidade negra. Negro tem que gostar de negro e tem que sobreviver com o negro.
Qual o recado que você dá pra essa juventude negra que está na construção do ENJUNE?
Primeiro é ser honesto com nós mesmo para depois ser com os outros. Ter dignidade e perseverança, com isso aí a gente vai vencer e chegar no poder, como nós queremos.