Os(as) participantes discutiram durante todo o terceiro dia de programação do ENJUNE, as resoluções e propostas apontadas pelas Rodas de Discussão para compor o documento final do Encontro.
O debate foi intenso e acalorado, porém de extrema importância para o afinamento das questões propostas e apontamentos políticos estruturantes para os resultados do encontro.
A juventude negra brasileira vem se organizando desde o início de 2006 para a realização do Encontro Nacional de Juventude Negra. A proposição do ENJUNE, por jovens militantes do movimento negro, surge como um momento de convergência entre os grupos e indivíduos jovens negros(as) militantes, uma oportunidade de análise das ações do Movimento Negro Brasileiro e de construção de novas perspectivas no panorama étnico/racial.
As demandas da juventude negra deste país são inúmeras, só conseguiremos saná-las através da pressão exercida contra o Estado e a sociedade. O ENJUNE vem se consolidando como um espaço nacional que se mostra como ferramenta reivindicatória e de intervenção efetiva rumo à construção de novas perspectivas de atuação social.
Os jovens negros(as) chegam a 16 milhões de pessoas, considerando-se um percentual de 47% de negro(a)s na juventude brasileira. Quando observamos os dados referentes as condições de vida da juventude negra, constatamos a emergência de ações focais para este seguimento.
Fatores como a escalada da violência, o desemprego, a falta de sintonia entre o sistema educacional brasileiro, a cultura e a história da população negra caracterizam-se nos dias de hoje como grandes desafios a serem superados. Desta forma fica evidente que o abismo social que separam negros(as) de brancos(as), nos diversos espaços sociais, são resultantes não somente do processo de escravismo e da discriminação ocorrida no passado, mas também de um processo ativo de preconceitos e estereótipos raciais que legitimam, cotidianamente, procedimentos discriminatórios.
Foto: Ierê Ferreira