BOLETIM

Sobre o Boletim
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Boletim 05
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- Fórum Nacional de Juventude Negra
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- Novas perspectivas para a militância étnico/racial
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- ENJUNE define rumos da atuação política da juventude negra
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Boletim 04
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- Compromisso firmado
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- Debates intensos iniciam o I Encontro Nacional da Juventude Negra
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- 25 de julho: Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha
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- Ilê Aiyê participa do ENJUNE
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Boletim 03
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- Bahia será o estado da Juventude Negra
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- MultimídiaAfro: Rede de Comunicação da Juventude Negra
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- Entrevista: Lio Nzumbi
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Boletim 01
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- ENJUNE lança página de internet
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- Juventude negra em ação
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- Entrevista: Eriosvaldo Menezes
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- Centro de Referência Afro-Brasileira: Palco da juventude negra
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Boletim 02
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- Juventude negra reage à violência racial
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- Enjune nos Estados
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- Entrevista – Paulo Rogério Nunes
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- Juventude negra e Diáspora Africana
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Entrevista – Paulo Rogério Nunes

O publicitário Paulo Rogério Nunes, coordenador do Instituto de Mídia Étnica e palestrante da Roda de Discussão sobre Comunicação e Tecnologia, fala ao ENJUNE sobre a importância dos meios de comunicação e da tecnologia para o crescimento profissional da juventude negra no mercado de trabalho.


 


ENJUNE - O que acha da realização da ENJUNE?


Paulo – Evento importante pra comunidade negra, um marco político para nossa atuação futura, conseguindo mobilizar a juventude negra nos estados para debater temas importantes para construção de projeto político autônomo, como cultura, saúde, educação, comunicação e tecnologia. Para além da formulação política desses temas, há a articulação das pessoas, encontro de militantes de diversas organizações ou não, mas que refletem a demanda do movimento negro “juvenil” como maior participação do espaço político dentro do movimento negro e dentro da sociedade de maneira geral.


 


ENJUNE – Quais as ações devem ser feitas para que a juventude negra ocupe os espaços dos meios de comunicação?


Paulo – Primeiro é necessário reconhecer o problema, reconhecer que hoje o espaço político da juventude negra no Brasil é limitado justamente por essa ausência de mecanismo de comunicação que possibilitem a ampliação de nossas vozes. A exclusão digital, o racismo na mídia, o apartheid tecnológico e comunicacional que existe no Brasil hoje, possibilita que nós possamos construir uma unidade em torno de projetos em conhecimento do que está sendo feito no Acre, no Rio Grande do Sul, Bahia, em São Paulo, e através dos meios de comunicação é possível que a juventude negra se una porque os problemas são similares. O ENJUNE precisa refletir isso nos seus trabalhos, entender que a necessidade da construção de uma unidade africana no mundo. Portanto a comunicação é um espaço de formação pensamento, de construção de política, ela é extremamente importante para construir esse novo projeto político que propomos para a sociedade.


 


ENJUNE – Como você compreende o fato da escassez de negros nos meios de comunicação?


Paulo – Faz parte do racismo estruturante da sociedade, o racismo que faz com que os negros estejam sub-representados no mundo do trabalho, nos empregos de relevância na sociedade ou no racismo institucional que acomete os negros na saúde, na habitação, na educação, também refletido nos meios de comunicação, eles não são neutros, fazem parte de todo um sistema que corrobora para o aleijamento, para a exclusão do negro na sociedade. Esse é o fato que faz com que nós reinvidiquemos ações reparadoras nos meios de comunicação, ações afirmativas na mídia. É importante discutir a comunicação como elemento estratégico, para reparar esses erros, a construção de uma mídia nossa.


 


ENJUNE – A criação de projetos voltados para áreas de tecnologia vai ajudar na inclusão da juventude negra no mercado de trabalho?


Paulo – Sim, muito. Porque nós estamos diante de uma conjuntura internacional, onde a tecnologia da informação são estratégias de desenvolvimento em todos os países. A barreira do racismo impede que os negros e negras desse país tenham acesso a tecnologia, a produção cientifica, no momento em que discutimos políticas públicas para população negra nas áreas tecnológicas. Hoje o Brasil esta inserido no grupo dos países emergentes, chamado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), se o Brasil quer de fato avançar como potência mundial, ele deve inserir a população negra. Não há possibilidade de um país avançar no sentido de ser uma referência tecnológica no mundo se não agregar essa população que está marginalizada. No ENJUNE, no GT de Comunicação e Tecnologia, vamos discutir como a juventude negra vai buscar e reivindicar seus direitos para adentrar nesse mundo da tecnologia e torna-se referencial positivo, gerando uma autonomia econômica para população negra.


 


ENJUNE – Quais atitude e programas devem ser feitos para que estimule a formação acadêmica da juventude negra nos cursos de comunicação social e cursos tecnológicos?


Paulo – É necessário urgentemente um plano que seja produzido pelo movimento negro, pela sociedade civil, pelo movimento social e pelas universidades para formação diferenciada da juventude negra para ocupar cargos no mercado de trabalho de comunicação, seja na TV, no jornalismo impresso, na publicidade, enfim nas diversas habilitações. Hoje a juventude negra que está nos veículos de comunicação são minoria, é importante ter um programa especial que garantam uma formação diferenciada para que reflita um pouco essa diversidade no mundo do trabalho.

 
 
ENJUNE - Encontro Nacional de Juventude Negra
 
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